Namorei com a produção textual, mas eram tantos pressupostos, subentendidos, explícitos e implícitos que acabei terminando tudo com ela.
Então fiquei noivo da Literatura Anglófona, embora a melancolia, o gótico e o terror me fizeram desistir dessa paixão shakespeariana.
Depois dessa passagem poética e dramática da minha vida me casei de novo, dessa vez com a Linguística, mas quando a vi valorizando tantos fatos que, para mim, eram o cúmulo do desrespeito à língua, brigamos muito e ela se matou com dez variantes no estômago.
Por passar muito tempo viúvo observando a redundância da vida, os erros gramaticais do povo e a falta de leitura do mundo, percebi que estava na hora de me casar novamente, mas dessa vez "acho" - embora ninguém tenha perdido nada - que encontrei a pessoa certa: a Gramática. Oh minha soberana senhora, tu és minha e eu sou teu, pois tu me sobordinas e eu te tenho sob a minha regência, tu me complementas nominalmente e eu te complemento verbalmente. Quando brigamos atiramos objetos diretos e indiretos, artigos definidos e indefinidos um no outro, mas no momento do amor somos possessivos e não nos desgrudamos por nada, nem mesmo se a predicação exigir.
Nosso amor não tem fim, pois a tua coordenação me excita e os meus verbos te encantam e, assim, o nosso amor é imortal como a língua que, por mais transformações e críticas que sofra, viverá eternamente e quem a domina tem e sempre terá status porque a língua é poder.
Quem quer se casar e ter uma vida amorosa como essa?
Lembre-se: a vida pode ser oculta e indeterminada, mas nunca sem sujeito.
Urandi Rosa Novais, Barra do Mendes,12 de setembro de 2010, às 10h55min.










