Eis aí a minha produção literária na qual , de maneira subjetiva, busco mostrar um pouco da nossa literartura.
Amores e Amantes Literários
Eu, filho da Epopeia e da Poesia, nasci na época do Quinhentismo, vi Cabral juntamente com sua tropa chegarem aqui, porém só quero me esquecer dessa época, pois vi com que maldade eles trataram os índios para implantar a cultura europeia em nosso país.
Os anos passaram, cresci e me vi em meio à sociedade Barroca, foi nessa época que comecei a pensar no amor, mas o estilo rebuscado me fez sentir o inferno de amar, então busquei uma vida árcade, bucólica e pastoril, mesmo com tudo isso não me via feliz, pois os pseudônimos me levavam à loucura.
O tempo voou rápido como a águia em busca da sua presa. Quando me dei conta estava cara a cara com o Romantismo, fui aclamado, idealizado, mas não fui alcançado por quem me vassalava amorosamente. Nessa época tive uma grande paixão, mas o mau do século tirou essa pessoa de mim.
Segui triste à procura de alguém que me fizesse viver uma vida verdadeiramente nacionalista ou condoreira, pobre de mim, só consegui a escravidão diante do amor que dediquei a Castro Alves, que me fez sentir como a garça triste.
A época romântica para mim foi trágica: iludi-me, amei, desejei, busquei, mas não consegui. Nem mesmo Gonçalves Dias com o gorjear do sabiá me fizeram conhecer o dom de amar.
Entreguei-me ao tempo e esse me mostrou o Realismo da vida, que vai além do que se vê, porém não consegui entender a essência do que é amar e ser amado.
Então cedi aos caprichos das paixões naturalistas, deixei-me levar pelas loucuras bayronianas, vivi intensas paixões no Ateneu e aventuras no Cortiço, pois nessa época senti intensamente o prazer de desejar e ser desejado, eu me sentia um devasso no paraíso, nem mesmo a melancolia de Lispector e o realismo de Machado de Assis me fizeram desistir dessas paixões avassaladoras.
A vida simbólica e parnasiana só me fez ficar cada vez mais envolvido com essas paixões fugazes. Augusto dos Anjos tentou me aconselhar, mas eu o apedrejei na mão que me afagava e cuspi na boca que me beijava.
Aventurei-me nas Vanguardas Europeias e me escandalizei na Semana de Arte Moderna, nem mesmo Anita Malfati causou tanta repercussão como eu, nada mais fazia sentido para mim, pois nem a antropofagia ou a deglutição cultural do Modernismo de Tarsila do Amaral e Mário de Andrade me fizeram esquecer as paixões naturalistas.
Mas nem tudo são flores, pois as paixões naturalistas consumiram a minha alma, levaram-me onde jamais pensei em ir, realizei sonhos, satisfiz desejos e caprichos, me envolvi num triângulo amoroso como o de Jorge, Luísa e Basílio, mas eu não morri doente e sim esfaqueado. O sangue que jorrava do meu coração deixou para sempre marcado: ame e seja amado, mas nunca se esqueça de se sentir desejado.
Urandi Rosa Novais
Barra do Mendes, 14 de dezembro de 2010 às 22h30min.






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